A GAROTA NO TREM - Paula Hawkins

15/08/2016 21:05

Resenha de A garota no trem

 

“A narrativa recheada de surpresas caminha para um clímax assustador, tão aterrorizante quanto uma batida de trem." Publishers Weekly

 

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  Título: A garota no trem

  Autora: Paula Hawkins

  Editora: Record

  Páginas: 375

  Classificação da leitura:

 

 

O livro é um thriller psicológico, o primeiro que li desse subgênero. O thriller é uma narrativa que tem como foco principal um suspense; e, no caso do thriller psicológico, a principal característica não é a ação do personagem principal, mas sim a mente, ou seja, pensamentos de como se livrar da situação, enganando, despistando. Nesse subgênero nós (leitores) podemos nos enganar facilmente, pois não sabemos se o que o personagem nos diz é o que realmente aconteceu.

 

Em A garota do trem temos a história de Rachel uma mulher divorciada, desempregada, solitária e alcoólatra. E, mesmo tendo perdido o emprego não tem coragem de contar isso para amiga Cathy, pois ela mora na casa dessa amiga e teme ser expulsa de lá. Sendo assim, para manter a mentira ela continua a pegar o mesmo trem para Londres todos os dias às 08:04. Durante o trajeto há um sinal que o trem para todos os dias.

 

“Tem um sinal com defeito nessa linha ... está quase sempre vermelho; na maioria dos dias, paramos nele, às vezes por poucos segundos, às vezes por longos minutos ... tenho o panorama perfeito da minha casa preferida: a de número 15” (Pág. 14)

 

Rachel sempre senta-se na janela e passa a observar diariamente uma casa em particular, a casa de número 15 da rua na qual ela viveu com o marido Tom. Porém, quando era casada essa casa não era ocupada pelo casal que observa; portanto, Rachel não os conhecem. E, ao observá-los todos os dias, ela começa a imaginar o qual perfeita a vida deles parece ser.

 

“Eles formam um casal perfeito. Um casal 20” (Pág. 14)

 

O que começa com uma simples observação, torna-se uma obsessão: Rachel precisa procurar pelo casal e sente falta quando não consegue vê-los, ela imagina detalhes da vida deles. E lhe dá nomes fictício: Jason e Jess.

 

“Acho que comecei a reparar neles há mais ou menos um ano, e, pouco a pouco, os dois foram se tornando importantes para mim. Também não sei como se chamam, então tive de inventar nomes para eles.” (Pág. 20)

 

Em uma manhã ela observa algo que a assusta e ao mesmo tempo a desaponta: Jess despedia-se de um homem com um abraço e um beijo apaixonada; e, este homem não era Jason.

Rachel sentira a dor da traição. Tom além de tê-la traído e engravidado a amante, ainda levou a mulher para morar na casa que ele e Rachel haviam morado. Foi um golpe muito duro para Rachel; e, mesmo já estando separada há dois anos ela não se conformava. Tornou-se alcoólatra ainda quando estava casada. Começou a beber pela frustação que tinha por não conseguir engravidar. Além, de beber ela tem lapsos de memória, quando está sóbria não lembra do que fez enquanto bebia. Quando era casada chegou a machucar o marido, mas não lembra disso. Tudo que fazia enquanto estava bêbada era narrado por Tom. E no sábado à noite, ela lembra que pegou o trem para ir até a casa do ex-marido, lembra que pensou em procurar Jess; mas, no outro dia acordou com um machucado na cabeça e não lembra de nada. Sabe que algo aconteceu em uma passagem subterrânea, mas não sabe o que houve: será que alguém a perseguiu ou será que ela fez mal a alguém?

O pior acontece quando Rachel descobre, por um acaso, que Jess, que na realidade era Megan, havia desaparecido no sábado à noite. E, que Jason, que na verdade era Scott, estava desesperado à procura da esposa.

A última vez que ela havia visto Megan tinha sido na manhã que a moça beijava outro homem. Rachel contou para polícia, pois acreditava que aquele homem tinha a ver com o desaparecimento. Porém, devido ao  perfil psicológico instável ela não foi considerada como uma testemunha confiável.

 

O thriller psicológico se constrói principalmente a partir da confusão mental da Raquel e suas lembranças ou falsas lembranças da noite do desaparecimento de Megan. A agonia de ela temer ter feito algo com Megan me deixou agoniada também. A perturbação dela é tão real que pude sentir.

 

O livro é narrado em primeira pessoa e temos a visão de três personagens: na primeira metade do livro temos a visão da protagonista, Rachel, e da moça desaparecida, Megan. Na segunda metade conhecemos mais uma narradora (com capítulos menores), Anna, atual esposa do ex-marido da Rachel.

Li alguns comentários sobre A garota no trem e muitas pessoas reclamaram que o final era bastante previsível. Para mim não foi. Não foi nada muito surpreendente, mas também não foi previsível.

Achei o motivo do crime muito clichê, mas isso não fez com que eu gostasse menos do livro. O livro é bem escrito, os capítulos são curtos; e, a partir da segunda metade do livro os capítulos terminam com um gostinho de quero mais, sempre com um elemento surpresa a ser revelado. A leitura é fluida (apesar do cansaço causado pela protagonista), o fato de querermos saber quem fez e qual foi motivo nos mantém presos à leitura.

 

O que faltou no livro foi um personagem cativante. É importante para o leitor se identificar com algum personagem. E, nesta narrativa isso não acontece de forma nenhuma. Rachel é a protagonista mais chata já lida por mim. Não pelo fato de ser alcoólatra, mas pelo fato de não querer lutar para ser alguém melhor; e, pior ainda, ficar atormentando a vida do ex-marido. Os outros personagens também não ficam atrás, cada um com o caráter pior do que o do outro e com defeitos intragáveis. Paula Hawkins, constrói uma história narrada por três mulheres; e, as três são fracas. Mulheres que não se valorizam, não se amam e vivem frustradas. Esse fator me irritou bastante. Se ao menos uma personagem mostrasse força, amor próprio, altruísmo eu teria dado cinco estrelas para A garota no trem.

 

Obs.: Gostei muito da capa, além de bonita possui o título em alto relevo