ELEANOR & PARK - Rainbow Rowell

25/07/2016 23:00

Resenha de Eleanor & Park

 

Quem já saiu da adolescência com certeza lembra da emoção do primeiro amor. O coração acelerado ao encontrar alguém. A primeira vez que segurou a mão daquela pessoa especial. O primeiro beijo e tantas outra emoções. Eleanor e Park fará você lembrar de como foi bom se apaixonar pela primeira vez.

 

  Título: Eleanor & Park

  Autora: Rainbow Rowell

  Editora: Novo Século

  Páginas: 328

  Classificação da leitura:

 

 

Ante de ler este livro eu li em algumas resenhas que o livro falava sobre cultura geek. Sinceramente eu não sabia o que era cultura geek; então fui pesquisar: de acordo com a Wikipédia Geek (pronúncia no AFI: [ˈgiːk]) é um anglicismo e uma gíria inglesa que se refere a pessoas peculiares ou excêntricas, fãs de tecnologia, eletrônica, jogos eletrônicos ou de tabuleiro, histórias em quadrinhos, livros, filmes, animes e séries.

O livro não é sobre cultura geek, mas o personagem principal, o Park, ama histórias em quadrinhos e a Eleanor também passa a gostar desse gênero. Aliás eles se aproximam por causa das HQs. O contexto temporal da história é a década de 80.

Park é um jovem de dezesseis anos supertranquilo, apaixonado por HQs e músicas. Ele é mestiço, tem olhos puxados, sua mãe é coreana; e, por este motivo ele tem fortes características desse país. A família dele é bem estruturada: há companheirismo e amor entre eles. Park achava que o pai não acreditava nele; porém, são conflitos normais de adolescente; e, no decorrer da narrativa iremos ver o quanto os pais de Park irão apoiá-lo.

Eleanor é ruiva (deixa os cabelos sempre bagunçados) e gordinha, também tem dezesseis anos. Ela se veste de forma muito diferente: roupas masculinas e largas, amarra lenços nos pulsos, etc. O fato de ela não se sentir bonita faz com que queira esconder-se nas roupas. A família de Eleanor é o oposto da de Park. Ela vive com o padrasto, a mãe e os quatro irmãos. O padrasto é péssimo com ela e com todos, inclusive bate na mãe. Eleanor ficou morando mais de um ano de favor na casa de amigos da mãe; pois fora expulsa de casa pelo padrasto. Mas, lá na casa dos amigos ela também não era feliz.

 

“Ela não é nossa filha. Eleanor tentava incomodar menos ainda. Treinava ficar nos cômodos sem deixar pistas de que passara por eles. Jamais ligava a TV e nem pedia para usar o telefone. Jamais pedia para repetir no jantar.” (Pág. 41)

 

Quando ela voltou para a casa da mãe, começou a estudar em uma nova escola. Para ir à escola alguns alunos usavam o ônibus próprio da instituição de ensino; e, foi aí que Eleanor e Park se conheceram. Ela sentou-se ao lado de Park, não porque ela quis, mas porque ele falou para que ela sentasse. Quando Eleanor entrou no ônibus muitos alunos riram dela; e, quase não tinha lugar disponível. Os alunos sentavam-se nos lugares e ficavam com eles durante todo o ano escolar. Mas, mesmo um sentando ao lado do outro já há algum tempo, eles não conversavam. Na verdade Park havia oferecido o lugar pra ela por pena.

 

“Park achou que devia dizer-lhe alguma coisa... mesmo que fosse apenas um “oi” ou “com licença”. Mas passara tempo demais sem dizer nada desde a primeira vez ...” (pág. 38)

 

Todas as vezes que Park ia para escola ele lia algumas HQs  durante o trajeto. E, Eleanor lia também, ficava sempre de olho nas histórias. A leitura os uniu.

 

“Ele chegou até a olhá-la algumas vezes antes de virar a página, como se fosse assim educado. (Pág. 43)

 

Park começou a emprestar as histórias em quadrinhos e as fitas para a Eleanor. E, logo o amor entres eles nasceu. De forma pura e inocente.

 

“Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo.” (Pág. 74)

“Na primeira vez em que ele pegou na mão dela, foi tão bom que todas as coisas ruins se afastaram. Essa sensação boa foi muito mais forte do que qualquer dor.” (Pág. 303)

 

Muitos que leram este livro criticaram a Eleanor. Sei que às vezes ela parece cheia de “não me toques”, mas eu a entendo: o sofrimento fez com que ela ficasse assim – insegura. O Park é um fofo, não tem como não gostar desse personagem. Um garoto sensível e amoroso.

O casal Eleanor e Park funciona muito bem (apesar de todo aquele “chove não molha” ter me irritado bastante). Ver um amor surgir aos poucos torna a leitura muito delicada. Ao mesmo tempo que a história parece meio boba pra quem já passou da adolescência, os dramas vividos pelos personagens (principalmente por Eleanor) faz com que a história tenha também uma carga dramática. Torci muito para esse casal!

Tive muita vontade de abraçar a Eleanor em vários pontos da narrativa. E fiquei com muita raiva do padrasto e até mesmo da mãe, por ser tão omissa. Achei alguns pontos da história exagerados. Pois, apesar da família da Eleanor ser pobre, a menina não ter uma escova de dentes e usar essência de baunilha no corpo no lugar de perfume foi um pouco demais. Se a mãe conseguia arrumar dinheiro para comprar calça jeans para a filha, por que não comprar um perfume também?

 

O final da história foi muito aberto. Não ficou claro o que realmente aconteceu com eles. Há leitores que gostam desse tipo de final, porque podem imaginar o que houve com os personagens. Por outro lado, têm leitores que não curtem esse tipo de final; pois preferem um desfecho mais conclusivo. Eu faço parte desse grupo de leitores; por isso, não gostei do final da história. E, mesmo compreendendo a Eleanor na maioria das vezes, ela acabou me decepcionando um pouco. Também não há uma definição do que aconteceu com a família de Eleanor (não posso explicar mais pois posso dar um baita spoiler). Ficaram alguns detalhes vagos e irreais. Das duas uma: ou o livro terá uma continuação ou o final é péssimo; e, quando digo péssimo não digo triste. Triste é quando um personagem que você ama morre, por exemplo, mas, o que aconteceu no final desse livro é que faltou explicação. Foi muito solto. E, de forma, triste também.

 

Se você gosta de uma história de amor jovem e inocente; e, não se importa com finais abertos vai gostar desse livro. Há temas muito importantes trabalhados na narrativa, como: abuso, bullying, sexualidade, amizade, e confiança.

 

Obs.: Eleanor e Park vai virar filme os direitos foram comprados pela DreamWorks Studios. A própria autora, Rainbow Rowell, vai escrever o roteiro.